Meu Teste Ergométrico
Tarcísio Barbosa

Há poucos dias, tranqüilamente em casa, trabalhando no meu computador, tive uma dor de estômago. Ela não passava nem com reza brava. Dirigi-me ao meu geriatra. Conversamos e ele me falou que aquilo era gastrite, gastrite nervosa. Me receitou um remédio e disse que eu estava estressado. Discordei no ato. Como vou estar estressado se sou um “jovem” pertencente à “jeunesse dorée”? Não bebo, não fumo, não trabalho etc. O etc., bem, deixa pra lá! Até aí tudo ia bem. Então ele resolveu abrir minha pasta - meu dossiê - para ficar mais na moda. Já não gostei. Eu fora lá para consultar do estômago, não do coração. Folheando o dito dossiê, ele descobriu que o último teste ergométrico que eu fizera, fora há seis anos. Ato contínuo: marcou outro teste. Por mais que pedisse, implorasse, dissesse que eu estava ótimo, ele não cedeu. Fazer o quê. Há três pessoas às quais a gente não deve nunca desobedecer: mulher, mãe e médico geriatra.
Telefonei pro meu sobrinho advogado, para preparar meu testamento. Ele estava viajando. Desisti do testamento, pois não teria dinheiro para pagar outro advogado. Fui à clínica Santa Maria e marquei o teste para daí a uma semana. No dia do teste, pela manhã, calcei meu tênis Rainha - tênis de pobre - botei minha bermuda comprada na feira por dez reais e fui. De carro. Para não chegar lá, já morrendo de cansado e não obter aprovação no teste. Antes que eu me esqueça: contratei dois enfermeiros com uma maca para ficar ali por perto, a postos. De repente, eu poderia cair duro na esteira, precisar ser carregado para o hospital e tomar uma “injerção” de reanimação.

Lá na sala, a enfermeira preparou os apetrechos para o teste. Aí o meu geriatra chegou. Sempre sorridente. Pimenta nos olhos dos outros é refresco! Não era ele que ia fazer o teste!

Começamos o teste. O médico tranqüilérrimo acompanhando minha performance no computador e eu na esteira me matando. De vez em quando ele “tirava minha pressão”. Sempre sorrindo! Velocidade um, depois velocidade dois e, na velocidade três, eu já me sentia um grande atleta - um fundista - correndo para ganhar medalha. Quando eu vi que não mais agüentava, eu gritei. Ele parou a máquina e a pôs numa velocidade bem levezinha.

Resumando. O meu geriatra gostou do meu teste. Disse que estava tudo bem. Eu obtivera meu accessit - aprovação - que não fora “summa cum laude” - com louvor, como se dizia antigamente - porém, dera para quebrar o galho.

Saí dali feliz, dispensei os enfermeiros com a maca e fui todo faceiro para minha casa. Mas alegria de pobre dura pouco. Ele marcou outra esteira para daqui a seis meses. Não vou sofrer antes da hora.

Problemas posteriores se resolvem posteriormente!

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* José Tarcísio Barbosa faz revisão de textos - teses, monografias, livros, projetos e trabalhos científicos. TRABALHO RÁPIDO E EFICIENTE.
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