Fui a Itapoã com meu irmão Carlinhos
– mineiro de nascimento e baiano por adoção. Não
foi para ver a praia, mas para visitar Vinicius de Moraes – o
poetinha. Lá existe uma estátua de Vinicius sentado à
mesa com um bloco no qual ele fazia anotações e uma cadeira
vazia para gente se sentar ao lado do grande poeta, músico, letrista
de canções que enaltecem o amor, o sorriso, a flor, a
amizade, a generosidade e tantas outras qualidades do ser humano. Foi
um homem que amou profundamente as mulheres. Foi um fervoroso adepto
do “Soneto da Fidelidade”, de sua autoria: Eu possa dizer
do amor (que tive):/que não seja imortal, posto que chama/mas
que seja infinito enquanto dure. Viveu amando o amor, mesmo sabendo
da fugacidade de seu brilho.. E casou-se com mulheres magníficas:
Beatriz de Azevedo Mello, a Tati (1939-1951), Regina Pederneiras (1951),
Lila Bôscoli (1951-1958), Maria Lúcia Proença (1958-1963),
Nelita Abreu Rocha (1963-1968), Cristina Gurjão (1968-1969),
Gessy Gesse (1969-1976, época em morou em Itapoã), Marta
Rodrigues (1976-1978) e Gilda Mattoso (1978-1980).
Fez parcerias com vários artistas. Com Tom Jobim compôs
50 músicas, entre outras Eu sei que vou te amar, A Felicidade
e a campeoníssima e mundialmente famosa Garota de Ipanema. Com
Baden Powel, tem 40 títulos. Compôs com Pixinguinha Lamento.
E, ainda, com Ary Barroso e o maestro Moacir Santos, com o brilhante
Francis Hime. Com Chico Buarque, compôs Gente Humilde, Samba de
Orly, Valsinha, Desalento.
Toquinho, 34 anos mais jovem que o poeta, foi seu parceiro durante os
últimos 11 anos de sua vida. Ambos nos ofereceram cerca de 100
títulos, entre eles Regra 3, Como é
duro trabalhar, Carta ao Tom 76, Tarde em Itapoã. O refrão
de Tarde em Itapoã é imortal. “É bom...passar
uma tarde em Itapoã/ao sol que arde em Itapoã/ouvir o
mar em Itapoã/falar de amor em Itapoã.” Influenciou
ainda muitos músicos e compositores.
Vinicius teve ainda uma carreira diplomática que começou
em 1943, e teve passagens pelos Estados Unidos, onde trabalhou como
vice-cônsul em Los Angeles; França, como segundo-secretário
da embaixada; e Uruguai. Em 1957, passou a fazer parte da delegação
brasileira na Unesco. Tais atividades só foram interrompidas
em 1968, pela Revolução Redentora que o puniu através
do Ato Institucional n.º 5 com aposentadoria compulsória
do Itamaraty, depois de 26 anos de bons serviços prestados. Como
essa Revolução fez asneiras, enviando para casa lideranças
políticas, poetas, cientistas, professores universitários!
Acredito que o Brasil sofra até hoje das conseqüências
deste período de chumbo.
Vinicius inventou e reinventou o amor – bálsamo para a
tristeza e as dificuldades do dia a dia -, tendo vivido em um universo
onde vigoravam o amor, a generosidade, o desprendimento e a sensibilidade.
Dentre as muitas pérolas antológicas que nos deixou, cito
algumas:
“É melhor viver (o precário amor) do que ser feliz.”
“Sim, porque mesmo o amor que não compensa é melhor
que a solidão.”
“Nada melhor para a saúde que o amor correspondido.”
Vinicius - que viveu intensamente todos os sentimentos, mormente a paixão
- partiu em 1980, deixando saudades e uma legião de fãs.
Indo a Salvador, não deixe de ir a Itapoã sentir os eflúvios
benignos que emanam do espírito do poetinha, sentar-se ao seu
lado e tirar uma foto. Se você for mulher pode até se sentar
no colo dele, igual eu vi muitas fazendo. Pode ficar tranqüila
- não há mais perigo”
jtbarbosa500@yahoo.com.br
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José Tarcísio Barbosa faz revisão de textos - teses,
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