Em janeiro último passei uma semana em Salvador. Não pensem que tenho dinheiro, que não tenho. Eu tenho é um irmão em Salvador que acolhe com graça e encanto um irmão mais pobre. Bati pernas pelo centro histórico de Salvador, que é o retrato mais fiel do espírito místico, alegre e festivo que envolve o povo baiano. Dos 32 livros de Jorge Amado, 14 têm como cenário este local. A Salvador de Jorge Amado, que em seus livros ele chama de Bahia, tem como principais cenários a rampa do Mercado Modelo, as ladeiras do Pelourinho e as ruas do Carmo (centro histórico), o largo do rio Vermelho(orla), a rua Chile(centro comercial), a Baixa do Sapateiro(centro de comércio popular) e os terreiros de Candomblé.
Eu te darei um pente para te pentear/um colar para teus cabelos enfeitar/rede para te embelezar/ o céu e o mar eu vou te dar... Palavras escritas na Casa de Jorge Amado, ditas a Zélia Gattai , lá pelo idos de 45. Ela acreditou e o acompanhou pela vida e pelo mundo afora . Nos bons momentos e naqueles em que Jorge Amado , por suas convicções políticas, esteve exilado. O romance durou até 2001, quando Jorge Amado passou para outra dimensão.
Em Salvador, através da magia daquela terra de inúmeros deuses(orixás), eu me transportei para os livros de Jorge Amado, vi alguns de seus personagens e cheguei até a conversar com eles .
Vi
“Dona Flor e seus Dois Maridos” no largo do Pelourinho. Dr. Teodoro
Madureira e Vadinho ladeavam Dona Flor. Dr. Teodoro sempre
compenetrado, sério e bem vestido e Vadinho – bon vivant, mulherengo,
jogador, amante da boa mesa e inimigo mortal do trabalho – totalmente
pelado . No mesmo largo do Pelourinho, encontrei Gabriela e
seu Nacib, que me disseram estar passando uns dias na Bahia,
descansando do bar Vesúvio lá de Ilhéus. Conversei
en passant com o Tonico Bastos, - olha o perigo! - que me afirmou que
antes do fim do livro Gabriela, Cravo e Canela, ia pôr chifres
no seu Nacib. Tonico Bastos me convidou a visitar o castelo
da Gorda Carla, pois as meninas da Maria Machadão, lá
em Ilhéus, já estavam meio passadas. E ele estava caçando
carne nova. Declinei do convite, sou um homem mais ou menos sério!
Na ladeira do Tabuão, encontrei Quincas Berro D'água
– um porreta - e sua Quitéria do Olho Arregalado . Almoçamos
uma peixada no restaurante da Dadá e tomamos cachaça do
recôncavo baiano – da melhor qualidade . Lógico
que paguei tudo, visto que o Quincas andava meio sem dinheiro!
Desci o elevador Lacerda, dei uma volta pelo Mercado Modelo e fui até
a rampa do cais. Precisava ir a Itaparica tomar a bênção
a João Ubaldo Ribeiro . Surpresa! No cais encontrei
mestre Francisco e seu sobrinho, o marinheiro Guma junto com sua amada
Lívia – todos personagens do livro “Mar Morto”. Eles estavam
justamente indo a Itaparica em seu saveiro. Peguei uma carona e fui
conversando com Guma e Lívia, enquanto mestre Francisco comandava
o barco. Não encontrei João Ubaldo Ribeiro que estava
no Rio de Janeiro. Retornei a Salvador a bordo de um bâteau
mouche, igual àquele que afundou na baía de Guanabara.
Que medão! Afinal de contas, a coragem nunca foi o meu forte!
jtbarbosa500@yahoo.com.br
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José Tarcísio Barbosa faz revisão de textos - teses,
monografias, livros, projetos e trabalhos científicos. TRABALHO
RÁPIDO E EFICIENTE. Rua Fuad Chequer, 160/202, Clélia
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OBSERVAÇÃO: A travessia para Itaparica
foi feita a bordo do saveiro do mestre Francisco, conversando com o
marinheiro Guma e sua amada Lívia (foto abaixo)
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