Vamos discutir rapidamente
uma questão semântica: o certo é falar veado
ou viado? Veado
seria o marido da corça - tão simpática com os
seus saltos que fizeram inveja até a Rudolf Nureyev (!!!). Viado
viria de transviado ou desviado,
como eram chamados antigamente os rapazes alegres - alegres não
sei com o quê! Bem, como não conseguimos resolver o problema
de semântica proposto, vamos utilizar a palavra viado
mesmo e suas nuances. Nuances não, pois é coisa de viado
- variações fica melhor. Vamos utilizar também
o termo o homem que é homem – HQEH
- expressão cunhada pelo grande Luiz Fernando Veríssimo.
Chegar a um restaurante e pedir Coq au Vin, Canard Rôti, Escargot
não sei o que, Poulet à la Première Chanson, é
coisa de viado - viadinho
com tendências culturais. O HQEH não
come nada disso. Comida de macho é feijão tropeiro, feijoada,
angu à baiana, churrasco etc.
Pedir bebidas on the beach, Dry Martini, Blood Mary e outras frescuras
é coisa de viado - viadaço.
O HQEH pede é cachaça, whisky,
cerveja(muita cerveja).
Freqüentar academia, fazer pilates, adquirir massa muscular etc.
– é coisa de viado- viadésimo.
Quem gosta de homem bonito, saradão, é viado.
Mulher gosta é de homem com carteira recheada.(Palavras da Luana
Piovani)
Ir a vernissage, balé, discutir livros de auto-ajuda, citar Piaget,
Camus, Sartre e outros filósofos, discutir papo-cabeça
tipo “você precisa se
conhecer melhor, pesquisar seu ego e seu id, crescer como pessoa humana,
ser você mesmo e outras frescurites”
é coisa de viado - viadíssimo.
O HQEH não faz nada disso.
Ir a balé, ver os bailarinos saltitando para lá, pra cá
- pas de deux, vol des oiseaux, le corsaire -, é coisa de moitié-moitié,
de viado. - viadissíssimo.
Se sua mulher obrigá-lo a ir, você deverá dormir
o tempo todo e achar que até o porteiro é viado.
Sair com um monte de amigas para dançar, comer pizzas, tomar
vinho: antigamente esse elemento era chamado de guarda-cabaço
– o popular GC - , hoje é viado
mesmo - viadão. O HQEH
não tem amigas, tem mulher, amante, namorada, nega, companheira.
E sai é para pegar mulher.
Consolar ex-namoradinha de seu amigo de infância, é coisa
de viado - viadinho.
O HQEH canta a ex-namoradinha do amigo.
Usar manteiga de cacau para lábios ressequidos, pastilhas para
refrescar a garganta, lenço descartável, fazer unhas e
passar esmalte natural - é coisa de viado
- viadão. O HQEH
passa ao largo dessas frescuras.
Pedir meias porções ou meias doses, é coisa de
meio-homem - meio homem é viado - viadérrimo.
Triste também são aqueles que pedem tudo no diminutivo
- arrozinho, tropeirinho, pinguinha, churrasquinho - caso perdido.
Ter stress, depressão, freqüentar psicóloga ( só
se for para cantá-la), é coisa de viado
- viadinho. O HQEH
fica é puto, dá porrada e toma umas e outras para jogar
fora essas ziquiziras.
Dizer assumir, amei de paixão, minha porção feminina,
a blusa de cor bordeau combina melhor com seus cabelos louros, é
coisa de viado - viadíssimo.
Assistir a filmes de Leonardo de Caprio, Tom Cruise e Brad Pitt ou a
musicais como Noviça Rebelde e Singing in the Rain, é
coisa de viado - viadaço.
O HQEH assiste a filmes de Clint Eastwood,
John Wayne, Charles Bronson, Steve McQueen, Lee Marvin, enquanto passa
a mão na companheira ao lado.
Assistir a novelas, casos edificantes e outros programas de cultura
inútil na televisão é coisa de viado
– viadaço. O HQEH
assiste a noticiários, filmes de ação e principalmente
a futebol – tomando muita cerveja.
Pedir caipirinha com adoçante é coisa de viado
– viadíssimo. O HQEH
pede é gelo, açúcar, limão e pinga ou vodka.
Comer mel, produto natureba, também é coisa de viado
- viadésimo. O HQEH,
o macho daquilo roxo, não come mel - ele mastiga abelha.
Entrar na padaria e pedir presunto de Parma bem fininho, queijo Camembert,
salaminho italiano(!!!), leite desnatado, café descafeinado,
manteiguinha sem sal por causa da pressão, é coisa de
viado - viadissíssimo.
O HQEH pede no máximo 4 itens: pão,
café, leite, manteiga – e pronto.
Reparar numa festa se seu amigo está repetindo aquela mesma camisa
vista na outra festa, se a roupa dele não está combinando
na base do ton sur ton – é coisa de viado
- viadérrimo. Se o caboclo está
mal vestido, o problema é dele - sobra mais mulher para você.
Ter um relacionamento adulto com uma
mulher, de confiança mútua, cada um respeitando o direito
do outro, numa transa assim, extraconjugal, mas assumida, entende?
Segundo Luiz Fernando Veríssimo, isso é papo de mulher
que dá para todo mundo. Resumando: você é chifrudo
além de viado - viadaço.
O HQEH acha que o movimento gay é coisa
de viado.
Antigamente, no Brasil, a viadagem
era proibida; depois passou a ser tolerada; agora está sendo
incentivada através da televisão; vou me mandar antes
que se torne obrigatória!
Outras
crônicas: